Eu não sou um Homem fácil – por Fran Dal Pizzol

de

Hoje quero dividir com vocês um filme que assisti. É um filme francês, comédia romântica, é diferente, angustiante… mas é maravilhoso.

Trata-se de uma forma de encarar a realidade da sociedade patriarcal, mas de uma forma que envolve o espectador e proporciona muita reflexão. Eu assisti duas vezes para poder me atentar aos detalhes. O filme tem início com Damian (protagonista) sofrendo bullying na escola por vestir uma roupa de menina (comportamento fora do padrão – mas pra ele não tinha o significado que tinha para os que riram dele).

Ele cresce e se transforma no clássico garanhão azarando todas as mulheres sem conseguir se apegar emocionalmente com nenhuma delas, além de estar em psicoterapia tratando seu TOC. No seu trabalho, estava lançando um app chamado “fodômetro”, que serveria para anotar todas as transas.

Mas o filme se transforma na hora que Damian bate num poste e todos os papéis se invertem. O homem passa a ser o sexo frágil e a mulher a dominante. Começam, então, cenas num mundo totalmente matriarcal, aonde até os bonequinhos do semáforo de pedestres são uma silhueta feminina. Ele então é despedido (de uma forma relativamente normal para o mundo das mulheres) e começa a ser secretário da Alexandra (que no mundo dos homens era a secretaria do melhor amigo de Damian), agora uma escritora famosa. Ela passa a ter todos os comportamentos de um machista inveterado.

O filme é riquíssimo em detalhes, tanto no cenário, como nas falas. Tem o poder de trazer desconforto tanto para homens quanto para as mulheres, mostrando escrachadamente as sutilezas do cotidiano comum.

“Estamos impregnados de machismo por todos os lados e todos os dias, vai demorar, mas vai chegar um dia que essa igualdade vai chegar, e aí sim, casamentos até o final da vida podem voltar a existir.”

Fatos que me marcaram sobre os Homens:

  • sendo assediados na rua;
  • não sendo aceitos por terem pelos demais;
  • fazendo depilação;
  • sentindo a responsabilidade total sobre os filhos;
  • tirando licença maternidade;
  • correndo o risco de ficar sem emprego;
  • preocupando-se com a necessidade de agradar as MULHERES com seus corpos, colocando enchimento, negando comidas e passando creme no rosto;
  • sendo estuprados por estarem bêbados num bar e persuadidos a fazer sexo oral sem receber
  • usando bolsas e sapatos apertados, inclusive fio dental;
  • cenas de TV e outdoors sensualizando o corpo masculino
  • homens pintando as unhas;

No filme, são os homens que fazem o trabalho pesado e buscam as bebidas. E são as mulheres que se vangloriam da quantidade de homens que elas transaram no ano.

{Movimento masculinista no filme}

Entender seus papéis sociais para fazer escolhas conscientemente e NÃO ir repetindo padrões herdados de pais, avós e filmes é a grande reflexão do filme.

A próxima revolução humana será quando homens e mulheres entenderem que ser diferentes e aprender um com o outro é que vai trazer maturidade emocional para ambos. Apenas quando o feminino do homem e o masculino da mulher estiverem sendo de fato assimilados é que as relações amorosas vão trazer seus melhores frutos: tanto transformando-os em pessoas melhores, como criando filhos melhores. Cada um é perfeito ao seu jeito. É preciso encontrar o equilíbrio.

É como se a mulher tivesse um paletó fabricado dentro do seu cérebro através de suas vivências, experiências e referências masculinas suas e de sua família; e o homem um vestido que ele criou no decorrer da sua história de vida.

Então, quando em um relacionamento esse homem e essa mulher tentam colocar suas roupas pré-fabricadas no outro, e estas não servem, gerando mal estar entre os dois; precisamos descontruir vestidos e paletós que já não servem mais e olhar para si mesmo e para o outro com curiosidade, reconstruindo-se sempre. Tendo em mente o seu próprio feminino ou masculino construído através de toda sua única e linda vida.

É importante ressaltar que o filme fala de um tipo específico de homem e não todos, pois muitos já perceberam que o machismo não é o caminho. Os que insistem no machismo podem estar nesse momento separados sem nem entender o motivo.

O movimento feminista, em essência, não quer transformar as mulheres em seres superiores, apenas de igual valor e voz. Só dessa forma os casamentos voltarão a ser uma realidade possível. Então, mulheres, sintam-se humanas e capazes.

Existe um marido interno em cada mulher. É como se essa ideia de marido guiasse seus comportamentos com regras de como se comportar dentro de um relacionamento amoroso – se entregando de corpo e alma para os homens e fazendo tudo que está no papel de mulher, sentindo cada vez menos liberdade de escolha. Dentro dos homens há uma esposa interna. Que geralmente é uma mulher chata que o impede de fazer várias coisas legais, da qual, precisa esconder certas partes de sua vida, gerando, cada vez mais, distância emocional entre o casal, transformando o que deveria ser conexão em abismo.

Confira o trailer:

Agora você tem alguns elementos para começar a pensar em novas configurações dos seus papeis sociais. 

Assista ao filme e conte-nos o que achou!

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